A vida acontece nos detalhes mudos das manhãs preguiçosas.
Acontece mascarada no marasmo dos domingos, no silêncio das árvores vistas da janela, no dia que passa de dentro de casa.
Na lua que gira lá fora sem vermos. Na recuperação morosa da virose dos filhos.
A vida acontece no que é feito no intervalo das coisas espetaculares e imensas, nos pequenos momentos diários que nos parecem insignificantes e insossos.
A vida acontece na rotina, no abraço, na pia cheia de louça e no sorriso quieto que damos a nós mesmos. No trabalho acumulado e na casa empoeirando.
Dia após dia, ela acontece. Como um tremor subterrâneo, ela se realiza na estagnação e no ápice, na dormência e na transformação.
A vida acontece no sopro dos deuses entediados. E, no romance das memórias desses detalhes mudos, se eterniza.



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